Autônomo trabalha em dobro para manter salário e benefícios da CLT

O desemprego alarmante e a falta de perspectivas de melhora na economia têm levado trabalhadores a buscar no próprio negócio uma alternativa de sobrevivência. Porém, eles são obrigados a suportar uma carga de trabalho em dobro, para manter o mesmo padrão salarial e os benefícios equivalentes de quando tinham Carteira assinada.

Segundo levantamento do instituto de pesquisa Datafolha, divulgado pelo jornal “Folha de S.Paulo” na segunda (15), um celetista que ganha R$ 5.148,66 por mês terá de faturar, como autônomo, R$ 10.519,76, para superar a perda dos benefícios trabalhistas.


Autônomo tem de trabalhar em dobro para manter padrão salarial da CLT

A Agência Sindical ouviu o presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, Pedro Afonso Gomes. Ele adverte: “O trabalhador que pretende ter o próprio negócio precisa avaliar bem. Sem planejamento o fracasso é certo. É preciso lembrar que muitos dos benefícios, como 13º salário, férias e abono, deixarão de existir”.

O economista faz as contas: “Se o autônomo for pensar em férias, é preciso retirar do pró-labore em torno de 11% por mês, para obter o salário mais um terço nas férias; e em torno de 10% por mês, se quiser o 13º salário no final do ano”, observa.

Dieese – Para Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, planejamento e avaliação são indispensáveis a quem passa a viver sem Carteira assinada. “É preciso ter uma boa reserva e planejar muito. A pessoa terá de administrar muito bem e, muitas vezes, não é o que acontece”, aponta.

“Em geral, essa iniciativa não vem acompanhada do cálculo econômico pra viabilizar essa atividade. Ela é uma atividade muitas vezes reativa. O trabalhador precisa de renda e busca qualquer atividade”, explica o diretor do Dieese.

Crise – Clemente lembra que a crise econômica gera pressão sobre o desempregado, levando-o a buscar um trabalho autônomo. Ante esta realidade, ele recomenda que o movimento sindical passe a olhar também para esses trabalhadores.

“Temos que buscar formas de representação, mobilização e capacitação, além de organização econômica e representação do ponto de vista de sua proteção. Pensar um sistema de proteção previdenciária, assistência à saúde etc.”, ressalta.
VIA AGÊNCIA SINDICAL

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