“É preciso mudar a estrutura política do Brasil”, diz palestrante de Neuropolítica em evento do PDT-Campinas

A convite do PDT-Campinas, Gonçalo Amarante Pereira, professor de Genética e Biologia da Unicamp, palestrou sobre Neuropolítica na noite da última terça-feira, 15, no auditório do Sindicato dos Frentistas de Campinas. Ele também é coordenador municipal da Escola de Formação de Candidatos “Alberto Pasqualini”, do PDT estadual. Atualmente o diretório do PDT na cidade tem à frente Francisco Soares de Souza, que quer investir na melhor formação política dos filiados.

Diante de uma plateia de cerca de oitenta pessoas, entre filiados e simpatizantes da sigla, o Prof. Gonçalo abordou aspectos positivos e negativos no uso da Neuropolítica. A partir das descobertas da neurociência é possível direcionar determinadas respostas inerentes ao comportamento humano, dentro do espectro político. Tendo como foco o funcionamento do cérebro e o potencial das emoções no processo de tomada de decisão, o palestrante falou sobre como as técnicas de neurociência, no âmbito da Neuropolítica, vêm sendo utilizadas como ferramenta de persuasão eleitoral. Nem sempre de forma ética e construtiva. Com frequência, essas técnicas também alimentam a neurose coletiva nas redes sociais. “Atores políticos exercem a sua força através de ações das quais não nos damos conta, mas que são estratégias resultantes de estudos acerca do comportamento do cidadão eleitor”, alertou. Ainda no âmbito da Neuropolítica aplicada à estratégia eleitoral, o professor Gonçalo lembrou que a política acompanha a evolução da sociedade desde sempre e que, no caso do Brasil, ela está contaminada pela cultura da servidão. Isso seria mais um resultado nefasto dos 380 anos de escravidão aqui praticados. É por aí que ele propõe começar uma mudança em toda a estrutura política do Brasil. E, para agir nessa estrutura, é preciso entendê-la, o que torna determinante o papel da Educação. Contra o que chamou de conexões neurais erradas, oriundas de estratégias de marketing convenientemente forjadas para estimular sentimentos primários, como o medo e o ódio, ele recomendou o uso inteligente e estratégico das redes sociais. Ele fala em promover um ambiente para a mais lúcida troca de ideias, pois a “política é inclusão, empatia, esperança, e não é isso que estamos vivendo hoje”, lembrou.

Ao final da apresentação o Prof. Gonçalo recomendou como leitura diversos títulos, dentre os quais: “Quem manda no mundo?”, de Noam Chomsky, “Cérebro, uma biografia”, de David Eagleman, “Rápido e Devagar – Duas formas de pensar”, de Daniel Kahneman, e “Desigualdade”, de Eduardo Moreira. Ele também recomendou o documentário “Privacidade Hackeada”, disponível no NetFlix. Essas obras, segundo ele, oferecem um caminho de continuidade na busca por melhor compreensão do cérebro e suas reações mais prováveis, diante dos estímulos aos quais está sujeito.

*Leila de Oliveira

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