Fim do Ministério do Trabalho dá carta branca para abuso dos patrões

A CUT e outras sete centrais sindicais realizaram nesta terça-feira (11) protesto em frente à Superintendência do Trabalho, no centro de São Paulo, contra o fim do Ministério do Trabalho, medida que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), promete promover em seu governo.

O superintendente regional da pasta, em São Paulo, Marco Antonio Melchior, se somou à mobilização. “Em todos os lugares do mundo é necessário existir um órgão que fiscalize a legislação trabalhista. No Brasil, o ministério é quem cumpre há 88 anos esta função”, disse.

Segundo Melchior, mesmo após a reforma trabalhista, aprovada durante o governo de Michel Temer (MDB), o Ministério do Trabalho continua fiscalizando o cumprimento dos direitos dos trabalhadores e cumprindo outras funções como a mediação das relações do trabalho e a regulamentação das profissões, ações que agora podem ser extintas.

Em consonância com Melchior, dirigentes sindicais da CUT Brasil, da CUT São Paulo e de outras centrais sindicais também se pronunciaram. Todos garantiram ampliar as mobilizações e manter a unidade do movimento sindical em 2019.

Ainda durante o protesto, como numa releitura do pintor francês Jean-Baptiste Debret na obra “Voyages au Brésil: Retour d’ um proprietaire”, um ator, interpretando um patrão, foi carregado por uma rede, em alusão ao período da escravização no Brasil. Ao seu lado, uma mulher negra carregava um cesto cheio de frutas na cabeça. Com eles, algumas placas diziam: “É horrível ser patrão no Brasil”, repetindo e ironizando o pronunciamento de Bolsonaro, no último dia 4, quando este participava de uma reunião com a bancada do MDB na Câmara federal.
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